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Células de condutividade: fator de célula K e aplicações

Como escolher a célula de condutividade correta: fator K 0,1 a 10, dois vs. quatro eletrodos, aplicações em água ultrapura, processo geral e efluentes. Relação entre condutividade e TDS.

Hydrocore Instrumentação·Publicado em 25 de fevereiro de 2026·Atualizado em 10 de abril de 2026·8 min de leitura

A condutividade elétrica de uma solução é um dos parâmetros mais medidos em processos industriais — da água ultrapura de uma farmacêutica ao efluente de uma galvânica. Escolher a célula errada para a aplicação resulta em leituras fora da faixa linear, eletrodos polarizados e dados não confiáveis. Este artigo explica os fundamentos e os critérios de seleção.

O que é condutividade elétrica e suas unidades

A condutividade elétrica (CE) mede a capacidade de uma solução de conduzir corrente elétrica, que é proporcional à concentração de íons dissolvidos. A relação é linear para soluções diluídas e se desvia em concentrações elevadas por interações interiônicas.

Unidades mais comuns:

  • µS/cm (microsiemens por centímetro): para soluções de baixa condutividade — água ultrapura (< 0,1 µS/cm), água purificada para injetável (≤ 1,3 µS/cm conforme USP/BP), água desmineralizada (1–100 µS/cm).
  • mS/cm (milisiemens por centímetro): para condutividades moderadas — água de processo, caldeiras, água de resfriamento, bebidas (0,1–10 mS/cm).
  • S/m ou mS/m: sistema SI, menos usado na instrumentação de campo. Conversão: 1 mS/cm = 100 µS/cm = 10 mS/m.

A condutividade é fortemente dependente de temperatura — aumenta aproximadamente 2% por °C. Todos os transmissores modernos fazem compensação de temperatura para referenciar a leitura a 25 °C (o padrão universal). A compensação linear é adequada para a maioria das soluções; compensação não-linear (por tabela) é usada para água pura e ácido sulfúrico.

O fator de célula K: K = 0,1, K = 1,0 e K = 10

O fator de célula K (também chamado de constante de célula) relaciona a geometria da célula à condutividade medida:

K = d / A, onde d é a distância entre os eletrodos e A é a área efetiva dos eletrodos.

A condutividade real da solução é obtida multiplicando a condutância medida pelo fator K:

CE (µS/cm) = Condutância (µS) × K (cm⁻¹)

A escolha do fator K deve garantir que a condutância medida fique dentro da faixa ótima de operação do transmissor (tipicamente 1–10.000 µS). Células com K inadequado operarão nas extremidades da faixa, onde o erro relativo é maior:

  • K = 0,1 cm⁻¹ (célula de baixa constante): para condutividades de 0,05 a 200 µS/cm. Aplicações: água ultrapura farmacêutica, água para injetável, ultrapura de laboratório, osmose reversa de alta qualidade. Eletrodos com grande área e pequena distância — máxima sensibilidade.
  • K = 1,0 cm⁻¹ (célula de uso geral): para 5 µS/cm a 20 mS/cm. A célula mais versátil — cobre da água desmineralizada ao processo industrial padrão. Usada em caldeiras, sistemas de resfriamento, bebidas, álcool, suco, processos alimentícios e hídricos em geral.
  • K = 10 cm⁻¹ (célula de alta constante): para 100 µS/cm a 1 S/cm (1000 mS/cm). Para efluentes industriais concentrados, salmouras, processos de galvanoplastia, ácidos e bases diluídos a moderados. Eletrodos com pequena área e grande distância — menos sensíveis à variação de posição.

Aplicações práticas por faixa

A correspondência entre K, faixa de condutividade e aplicação típica:

  • K = 0,1 — Água ultrapura: < 0,1 µS/cm (18,2 MΩ·cm = água ultrapura Grau 1). Monitoramento de sistemas de purificação por EDI (electrodesionização), verificação de membranas de osmose reversa de alto grau, produção farmacêutica (USP Water for Injection ≤ 1,3 µS/cm).
  • K = 1,0 — Processo geral: 1–10.000 µS/cm. Monitoramento de redes de distribuição de água tratada, controle de salmoura fraca, verificação de desmineralização, processos alimentícios (bebidas: 50–500 µS/cm, leite: 4–6 mS/cm).
  • K = 10 — Efluentes e processos concentrados: 10–1.000 mS/cm. Tratamento de efluentes industriais, controle de banhos galvânicos, salmouras industriais (NaCl saturado: ~200 mS/cm), controle de ácido sulfúrico e clorídrico em processos.

Dois eletrodos vs. quatro eletrodos

As células de condutividade podem usar dois ou quatro eletrodos. A escolha afeta a precisão em diferentes faixas de condutividade:

  • Dois eletrodos (condutimétrico de contato): design simples e robusto. A corrente de excitação passa pelos mesmos eletrodos que medem a tensão. Em altas condutividades, a impedância de polarização dos eletrodos representa fração significativa da impedância total — erro aumenta. Faixa ideal: 0,01 a 200 mS/cm. Preferido para K = 0,1 e K = 1,0 em soluções limpas.
  • Quatro eletrodos: dois eletrodos externos injetam corrente, dois internos medem a tensão sem fluxo de corrente. A polarização dos eletrodos externos não afeta a medição. Precisão superior em altas condutividades e em soluções com tendência a polarizar os eletrodos. Ideal para K = 10 e aplicações com condutividade > 50 mS/cm. Custo maior que o sistema de dois eletrodos.
  • Indutiva (toroidal sem contato): a célula usa bobinas para induzir corrente na solução sem contato físico. Ideal para amostras muito agressivas (ácido concentrado, base forte) ou que incrustam. Não é adequada para faixas de condutividade muito baixas (< 1 mS/cm).

TDS e relação com condutividade

O TDS (Total Dissolved Solids, Sólidos Totais Dissolvidos) é frequentemente estimado a partir da condutividade elétrica por um fator de conversão empírico:

TDS (mg/L ou ppm) ≈ CE (µS/cm) × Fator

O fator típico varia entre 0,5 e 0,7 dependendo da composição iônica da amostra:

  • Água potável e de poço: fator 0,5–0,6
  • Águas ricas em sulfatos: fator 0,6–0,7
  • Salmouras e efluentes industriais: o fator empírico perde validade — use gravimetria para TDS real

O TDS por condutividade é uma estimativa — não substitui a determinação gravimétrica normalizada (ABNT NBR 10739 / APHA 2540 C). Para aplicações que exigem TDS rastreável (relatórios de licença ambiental, laudos analíticos), use condutividade apenas como parâmetro de processo e complemente com análise gravimétrica laboratorial.

A linha HC170 Hydrocore

A Hydrocore fabrica células de condutividade nas três faixas de K para aplicações industriais e de laboratório:

  • HC170 K=0,1: célula de dois eletrodos com grafite tratado, corpo em PVDF, para água ultrapura. Calibrada com solução padrão de KCl rastreável ao INMETRO.
  • HC170 K=1,0: célula de dois eletrodos com grafite ou titânio, corpo em PEAD, uso geral. Rosca PG 13,5 ou NPT ¾".
  • HC170 K=10: célula de quatro eletrodos em Inox 316L, corpo em PEAD ou PTFE, para efluentes concentrados.

Todas as células são compatíveis com transmissores dos principais fabricantes (E+H, Emerson, Hach, Yokogawa) e com os medidores M3i da Hydrocore. Para calibração e verificação, utilize soluções padrão de condutividade certificadas — disponíveis em 84 µS/cm, 1413 µS/cm e 12,88 mS/cm.

Use a ferramenta de cross-reference para encontrar o equivalente HC170 para células Mettler, Hach, E+H, Yokogawa e outras. Para dimensionamento e dúvidas técnicas, solicite cotação com a especificação do processo.

Conteúdo produzido pela equipe técnica Hydrocore.
Última atualização: 10 de abril de 2026.
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